DOENÇA DE GAUCHER


  Trata-se de um raro distúrbio metabólico hereditário que resulta no acúmulo anormal de certos tipos de lipídeos (substâncias gordurosas) no baço, no fígado, na medula óssea e nos pulmões, e em alguns casos no cérebro. Esse acúmulo deve-se à deficiência ou falta de uma enzima chamada glucocerebrosidase, que está envolvida na quebra e no metabolismo de lipídeos, e mais especificamente da glucosilceramida.

Subtipos da doença de Gaucher

  A doença de Gaucher tem sido tradicionalmente classificada em três subtipos, a depender dos sintomas e do período de seu desenvolvimento.

 

  A doença de Gaucher tipo 1 é a forma mais comum da doença. A mutação é mais freqüente em judeus Ashkenazi. A doença de Gaucher tipo 1 também é referida como a forma adulta ou não-neuropática da doença de Gaucher, na qual o cérebro não é afetado. Pessoas com doença de Gaucher tipo 1 apresentam baço e fígado aumentados, anemia e baixa contagem de plaquetas, podendo apresentar ainda dor e deterioração óssea. Os sintomas podem aparecer em qualquer idade.

 

  A doença de Gaucher tipo 2 (infantil ou neuronopática aguda) ocorre raramente e não apresenta nenhuma predisposição étnica. O tipo 2 é a forma mais grave da doença de Gaucher, com início dentro dos 6 primeiros meses de vida, e expectativa de vida máxima de cerca de 2 anos. Além do aumento esplênico e hepático, crianças com doença de Gaucher tipo 2 sofrem dano cerebral extenso e progressivo.

 

  A doença de Gaucher tipo 3 é comum na população da região de Norbotten da Suécia. Também é referida como doença de Gaucher juvenil ou neuronopática crônica, porque os sintomas neurológicos aparecem entre o início e o final da infância. Muitas vezes, o acúmulo neurológico é inicialmente observado em crianças como problemas em movimentar corretamente os olhos, dificuldades de aprendizado na escola ou problemas auditivos, e podem acabar levando à dificuldade de movimento e equilíbrio.

 

  Novas informações clínicas mostraram que pacientes com a doença de Gaucher tipo 1 também podem apresentar algum grau de sinais e sintomas neurológicos, sugerindo uma continuidade entre as formas neurológica e não-neurológica da doença de Gaucher.

 

 TRATAMENTO:

 

  É possível tratar a doença de Gaucher tipo 1. As opções de tratamento são regidas pela gravidade a taxa de progressão da doença, que é altamente variável de um indivíduo para o outro. Não existem tratamentos aprovados para doença de Gaucher tipo 2 ou tipo 3.

 

Opções terapêuticas

  Em pacientes com doença de Gaucher, há um acúmulo excessivo do substrato glicosilceramida, porque a atividade da enzima glicocerebrosidase é reduzida ou completamente ausente.

É possível recuperar o equilíbrio tanto através do aumento na quantidade de enzimas ativas ou da redução na quantidade do substrato.

 

Terapia de reposição enzimática

  Terapia de reposição enzimática (TRE) foi a primeira terapia a ser introduzida para a doença de Gaucher, em 1991.

A enzima substituta é dada ao paciente através de infusão intravenosa (normalmente a cada 2 semanas) e quebra o substrato, a glicosilceramida.

 

Terapia de redução do substrato

  Terapia de redução do substrato (TRS) envolve a administração oral de uma pequena molécula que inibe a primeira etapa da formação do substrato glicosilceramida.

Como resultado, as células terão menos glicosilceramida precisando ser quebrada, e mesmo que a deficiência na atividade da enzima glicocerebrosidase permaneça, ela ainda é capaz de lidar com a pequena quantidade de glicosilceramida produzida nas células, e também quebrar a glicosilceramida que já está armazenada.

 

Transplante de medula óssea

  Transplante de medula óssea é outra opção terapêutica par substituir as células sanguíneas danificadas formadas.

Embora este tratamento possa ser útil para pacientes com a doença de Gaucher, não é considerado uma opção ideal devido ao alto risco de morbidade e mortalidade e eficácia limitada.